Friday, May 2, 2008

Chega de brincadeiras, Robin

Chega de brincadeiras, Robin. Precisamos bolar um plano.

Bom, e lá se foi o primeiro final de semana.
Na segunda-feira seguinte era hora de ir me apresentar ao meu orientador e colegas de laboratório. Bom, já havia ouvido coisas terríveis de pessoas que estão estudando aqui e têm péssimas experiências com seus orientadores. Histórias tenebrosas, intimidadoras e desencorajadoras. Felizmente, não foi o meu caso :) Eu fui super bem recebido! Por todo o contato que tive com ele, eu já esperava algo bem tranqüilo. Eu troquei uma mensagem para agendar um horário, mas ele disse que qualquer dia e horário naquela semana estaria bom. Então, pra que procrastinar? Vamos entrar na arena.

Primeiro grande desafio: eu esqueci de perguntar o prédio/sala! A escola de engenharia aqui é muito grande, deve ter uns 15 prédios, alguns bem altos... Me dirigi ao que parecia ser o prédio centralizador pra pedir informações. Pedi ajuda para um japonês que estava saindo do prédio (até que foi bem fácil entender). Ele apontou um painel com os nomes/salas dos professores. Procurei pelo カ (ka) e encontrei facilmente o nome dele: 金田 和文 (Kaneda, Kazufumi - aqui no Japão, primeiro vem o sobrenome). Ainda bem que o nome dele só tem kanjis fáceis! Agora só precisava me dirigir ao prédio A1... Barbada, tinha um mapa da escola de engenharia ao lado :) Segundo desafio: encontrar a porta certa pra entrar no prédio. Tem quatro portas (que eu sei até agora...). A primeira tentativa funcionou. O corredor do 3º andar estava uma bagunça, virado num chapéu velho. Depois descobri que era devido ao remanejamento de algumas salas.

Cheguei até a sala dele, bati na porta, me anunciei e ele veio pessoalmente abrir a porta. Trocamos cumprimentos em japonês, mas ele insistiu no cumprimento ocidental =P (aquela lição que o Mira san fica na mão ao se apresentar pra Sato san não funciona sempre!). Salinha bacana! Muito espaçosa (tipo a 250/252 lá da ufrgs), com uma mesa grande, televisão, estantes organizadas. Ele já se antecipou, puxou uma cadeira para eu sentar e começamos a conversar. Aquela arranhada básica no idioma, mas passamos ao inglês. Muito atencioso e simpático. Conversamos muito pouco sobre pesquisa e essas coisas. Ele queria saber como eu estava me sentindo no Japão, do que mais sentia falta, do que mais achara estranho, das pessoas que eu havia conversado, se já tinha feito amigos. Perguntou muito sobre a viagem, do Brasil, da minha cidade, ... Depois a gente foi migrando pro lado técnico. Ainda assim, bem superficialmente, mais para eu saber no que eles estão trabalhando com mais ênfase. Eu estava me sentindo bem confortável.

Depois disso, ele me apresentou para o outro professor, o Tamaki sensei. Gente finíssima! Também puxou uma conversa bem informal. O interessante é que eles interconectaram as salas, bastando apenas abrir uma porta lateral pra ir de um escritório para outro. Assim sendo, da sala do Tamaki sensei, passamos por uma sala bagunçada, que estava sendo remanejada, e que eu soube que iria ser minha, juntamente com o outro aluno de doutorado. Dessa sala, mais uma porta para uma sala muito grande, com os demais alunos. Ao todo são quase 25 alunos e ainda tinha muito espaço vazio na sala. Me apresentei pra galera e já senti que uns 90% não falavam inglês! Massa =D Ainda assim, deu pra se comunicar e pra perceber o clima do laboratório. Muito parecido com o clima da galera da CG da UFRGS: 良かった! Eu não sou o único 外国人 (gaikokujin, estrangeiro) lá. Tem o Matt, um americano que está terminando o mestrado. Ele já mora no Japão há 3 anos, e daqui a um mês ele vai se casar. Fiquei bastante amigo do Matt. Ele gosta bastante de conversar, tem muitas histórias engraçadas e me passa várias dicas de sobrevivência.

No mais, a japonesada me convidou para ir ao hanami do grupo, que aconteceria no próximo sábado. No domingo seguinte, já me chamaram pra ir jogar futsal e pra jantar. O Matt me chamou pra ir tomar cerveja na sexta. Meu orientador já pediu para eu preparar uma apresentação informal dos meus trabalhos e do meu mestrado para o dia 1º de Maio (que aqui não é feriado). Além disso, me convidou e encorajou a assistir os seminários do grupo (um seminário iria acontecer ainda naquela semana). O Tamaki sensei pediu para que eu o ajudasse, na manhã antes do seminário, a arrumar algumas salas e transportar uns livros. Todos valeram muito a pena e eu me diverti e me entrosei bastante! Depois de me despedir de todos, saí do prédio super tranqüilo.

No final daquela tarde, juntei-me ao André e a tutora dele para ir atrás do telefone celular! Há basicamente três operadoras: au (KDDI), docomo e SoftBank. A última está com uma super promoção para estudantes! Mas ainda não podíamos comprar pois faltava o cartão de estudante. Putz, e a gente tinha esquecido de falar com o pessoal do departamento de estudantes estrangeiros! Tarde demais, já havia fechado. こんどね

E assim terminou a segunda-feira (a parte que eu ainda lembro!). No dia seguinte teríamos que ir atrás dessas coisas de novo, bem como da cerimônia de recepção dos alunos estrangeiros. Ainda bem que trouxe um traje formal do Brasil :) Mas conto isso no próximo post!

PS: eu esqueci meu guarda-chuva na sala do meu orientador =P

Monday, April 28, 2008

Shashin! (fotos)

Rápida atualização:
atendendo a pedidos, arrumei um tempo para fazer o upload de algumas fotos.
Ainda faltam muitas (e tem muitas fotos nas câmeras de outras pessoas).
Estamos trabalhando para reunir todas e cada um poder selecionar as que interessam.
Segue o link:

http://picasaweb.google.com/mslomp

[].s

Saturday, April 26, 2008

Shuumatsu! (fim de semana)

Recapitulando:
Saí de Porto Alegre na terça-feira (dia 1º de abril);
Cheguei em Shin-Osaka na quinta-feira;
Cheguei em Higashihiroshima na sexta-feira.

Algumas palavras sobre a galera da Internatrional House:
No geral, todo mundo é bem legal. A grande maioria das pessoas vieram da China, muito tímidas, e pouco vistas. Acho que é porque não falam inglês e porque acham que a gente não entende absolutamente nada de japonês... A exceção são os que freqüentam a sala de estar no segundo andar. Fora os chineses, tem gente do Uzbequistão, Malásia, Síria, Romênia, Rússia, Bielorússia, Estados Unidos...

Na real, a mesma observação que faço para o povo japonês vale para os chineses: é muito mais fácil conversar com as mulheres do que com os homens. Quando você pede uma informação pra um homem, parece que ele começa a tremer de medo... E insistem em responder em inglês (que eles não sabem). Quando você conversa com uma mulher, ela é muito mais segura e simpática: está sempre sorrindo, não treme de medo, te dá atenção (e não cheira a cigarro!). Quando estávamos eu, o André, a Naomi e o Luciano, na estação de Shin-Osaka, queríamos tirar uma fotografia em frente a uma estátua de panda que tinha por lá. Haviam dois japoneses lendo jornal e um outro sentado. Não quis incomodar a leitura deles e preguntei ao terceiro. Logo que eu falei "ano, sumimasen...", o cara já se levantou assustado e começou a tremer. Os japas que estavam lendo o jornal desapareceram no mesmo instante! Apesar de tudo, não deixam de ser super educados e prestativos. Bueno, tem outras dessas histórias, mas deixo pra outra ocasião.

Voltando à International House... Ok, chegou o sábado. Não dava pra fazer nenhuma das burocracias. O que restou era sair pra conhecer o campus, a cidade, averiguar uns preços. Eu estava com muita vontade de comer お好み焼き (okonomiyaki, uma espécie de panqueca - mas também não é panqueca - que é muito popular em Hiroshima). Acabei encontrando o André no meio do caminho e convidei ele pra ir comigo. Fomos para um local chamado "Q", bem perto do campus. Aí eu fui pedir a comida. O André não queria que colocassem porco, então eu sugeri camarão. Bom, eu usei a frase mais simples do mundo, coisa de uma semana de estudo de língua japonesa, e o cara não entendeu! Aí bateu a frustração... "Hitotsu ebi no okonomiyaki, onegaishimasu" (um okonomiyaki de camarão, por favor). Pois bem, depois de uns 5 minutos de conversa (que a gente não entendeu 10%...), parece que tudo tinha dado certo! Mas o mais engraçado foi que o André pensou que eu tinha pedido okonomiyaki de cobra (já que "ebi = camarão", mas "hebi = cobra")!!! Pra piorar a situação, a moça veio na nossa mesa pedir se a gente queria a massa escura ou branca. Porra!!! Pergunta em japonês, mulher do inferno! Ela veio falando umas coisas, até que falou burakku oru uaitto (black or white). Mas ela falou rápido demais, e com aquele inglês mega japonesado... Se ela tivesse falado algo como "kuroi" ou "shiroi", teria sido bem mais fácil! Mas, enfim, estava muito bom, e com um precinho muito em conta! Como diria a galera da Singular Studios: Okonomiyaki Hiroshima-style approved! Voltei no mesmo lugar há alguns dias, com meu amigo da Malásia, que também não conhecia a comida. A galera do restaurante me reconheceu e foram super simpáticos.

Ok, depois do okonomiyaki, encontramos a Gon, a tutora do André, que nos levou para dar uma volta pelo campus. No meio do caminho, já fizemos nosso cartão da Hiroshima Coop, uma espécie de instituição que cuida dos refeitórios e algumas lojas dentro do campus. Eu já tinha saído pra ver o campus na noite anterior, mas durante o dia dava pra ver o quanto a universidade é bonita, com muitas árvores, lagos, gramados, animais... Depois, a gente queria usar Internet. Como não tínhamos o student ID card ainda, a Gon nos levou ao SunSquare (aquela biblioteca/apartamento da prefeitura). Não deu pra usar muito tempo, já que fechava às 18h. Ela nos mostrou umas lojinhas pra comprar frutas e vegetais, muito mais baratas do que nos supermercados. No final, fomos até a casa dela e ela deu uma bicicleta para o André (já que ela comprou uma バイク (bike, que aqui é uma lambretinha). [Bom, esqueci de mencionar que, no caminho até o SunSquare, a gente perdeu a parada de ônibus correta :P Detalhes... E era só o terceiro dia de Japão...] Na volta, a gente fez todo o caminho a pé. Uns 40min de caminhada, à noite, com total segurança.

Domingo. Antes mesmo da viagem, a Karen já tinha comentado que ia ter um churrasco no Kagamiyama Koen, perto da universidade. Mas eu esqueci! Eis que pela manhã, bem cedo, uma guria bate na minha porta. Era a Anna, amiga da Karen, da Bielorússia. A gente estava indo, na verdade, para um 花見 (hanami, uma festa bem legal que os japoneses fazem na primavera; consiste em fazer um pique-nique em um parque para apreciar as cerejeiras). O churrasco, de longe lembra aquele do Sul (bah, Toto, e eu perdi aquele churrasco da minha despedida...). Mas foi bem legal. Na real, quase nem comi nada! So tomei cerveja e fiz amigos. Gente da Mongólia, Kazaquistão, Paquistão, Rússia, Japão, Alemanha, Estados Unidos. Fiquei bem amigo de um iraquiano, o Summer. Gente fina, mente aberta, bastante inteligente. Ainda nos juntamos com uma tropa de japoneses pra pular corda. Acho que havia mais ou menos umas 20 pessoas pulando a mesma corda. No final, uma japonesa (ainda não lembro o nome dela!) estava trêbada... É impressionante como esse povo fica bêbado rápido! Eu já tinha me apresentado e conversado um monte com ela. Quando eu tava saindo, ela veio se apresentar de novo e ficava gritando burajirujin burajirujin (brasileiro).

Nesse churrasco a gente conheceu uma brasileira, a Raquel, que é do pós-doc da física. Ela se propôs a nos levar para dar uma volta pela cidade, de carro, além de emprestar o laboratório dela pra usar Internet. Ela é muito engraçada e nos deu muitas informações úteis. A gente foi para um shopping center, o Grand Fuji. Depois, a gente foi jantar em um lugar chamado すき家 (sukiya, uma rede de fast-food de comida japonesa). Eis que finalmente experimentei 牛丼 (gyuudon), que nada mais é do que uma espécie de risoto, sendo que a carne não é misturada com o arroz. Apesar de ser meio "comida de obreiro", é muito bom! O chazinho que eles servem junto é uma maravilha... Tem gosto de arroz... =( Depois da janta a gente foi num esquema de diversões eletrônicas, com um monte de fliperamas massa. Além disso, o lugar abriga pistas de boliche, ping-pong e sinuca. Muito tri =D

A Raquel ganhou o carro dela. É muito comum no Japão até. As pessoas precisam pagar taxas muito grandes pro "lixo" pra se desfazer desse tipo de coisa. Dessa forma, ou elas abandonam por aí (o que não faz muito o feitio deles, mas acontece), ou eles dão para outra pessoa. Por sinal, lojas de produtos de segunda-mão tem muitas coisas boas e baratas!

Ok! Termino aqui meu relato do primeiro final de semana no Japão.
Mais bizarrices e fatos, nos próximos capítulos.
Os últimos dias aqui tem sido bem legais, sempre com bastante coisa pra fazer e com histórias novas.
Saudações à todos!

Sunday, April 20, 2008

Hajimemashou (vamos comecar)

Uigale! Que bixo era eu nao sei, mas que soltou o homem, soltou!

Chegando na Hiroshima University International House!

Pois bem, apenas eu e o Andre conseguimos vaga na International House. A equipe responsavel pelo Luciano rateou e ele nao conseguiu vaga e teve correr e alugar um apartamento por fora. A Naomi ja estava habituada com a cidade e a universidade e se antecipou para morar num lugar chamado SunSquare (uma mistura maluca de biblioteca, centro cultural e apartamentos, coordenados pela prefeitura).

Quando chegamos na International House, la estava a Karen san no aguardo da galera e eu pude, finalmente, agradecer, pessoalmente, pelo auxilio e orientacao que ela me deu pela Internet antes da viagem. Mas nem deu tempo pra falar muito com a Karen. Uma japonesa, a Nakaya sensei, responsavel pelos 留学生 (ryuugakusei, estudantes estrangeiros que vao estudar no Japao), tambem estava nos aguardando para apresentar nossos quartos e nos passar algumas informacoes basicas. Ela e uma simpatia! A gente ainda encontra ela seguidamente por ai, sempre com alguma informacao ou dica para nos passar. Mas, voltando, durante essa secao inicial de orientacao, a Nakaya sensei apresentou os nossos tutores japoneses, alunos da universidade que apadrinham os novos ryuugakuseis. O meu tutor se chama Tasuku, e a tutora do Andre se chama Gon (na verdade, e o apelido dela :P). Eles foram muito legais e super prestativos! O meu tutor anda sumido ultimamente, entao ando usando a tutora do Andre junto com ele. A Gon e do tipo "workaholic", mas sempre tem tempo pra gente. Para falar a verdade, se a gente chamar pelo nome dela umas 3 vezes, ela aparece!

E comecou a correria! Mal chegamos e eles ja nos levaram pra fazer o 外国人 登録 (gaikokujin touroku, o registro de estrangeiros que vao residir no Japao por mais de 90 dias), no 市役所 (shiyakusho, prefeitura). Bem como o Ishibashi sensei havia comentado comigo no Brasil, essa seria uma das primeiras coisas que eu deveria fazer. Chegando na prefeitura, o choque foi tremendo! Varios balcoes, tudo aberto, sem paredes, e uma cambada de japa trabalhando a milhao! Apesar de tudo, todo o processo e manual... Acho que preenchi uns 5 formularios, todos com os mesmos dados! Pra piorar, aqui eles usam um sistema de datas baseado no ano do imperador... Meu ano, 1983, vira o 58o ano do imperador anterior. Pelo menos deu pra relembrar katakana e arriscar alguns kanji. Mas a parte complicada foram os tutores e as balconistas que escreveram. Alias, todos os funcionarios foram muito gentis, sorridentes e compreensivos.

Proxima parada: compras basicas. Ainda bem que o Tasuku estava com carro! Nao ia gostar de ficar carregando futon pra la e pra ca (tipo um conjunto de cama, com lencois, travesseiros, coberta e um colchaozinho). Supermercados aqui sao uma diversao a parte. Tem muita coisa bizarra! E fica mais bizarro ainda porque nao da pra ler o que significam os produtos! Comprei umas coisas uteis, como creme de barbear, gilete, creme dental, papel higienico, sabao em po... O OMO deles aqui se chama アタック (attack :) No final das contas, acabamos indo para 3 supermercados: Mr.Max, Youme Town e Nafco. Falo mais sobre eles futuramente. Mas algumas coisas que chamam a atencao neles: o cliente pode andar com sacolas livremente dentro do supermercado; tem caixas (check outs) espalhados por todos os cantos, em cada departamento (inclusive no meio do supermercado); todos os funcionarios ficam gritando いらっしゃいませ (irasshaimase, bem-vindo); tem musiquinhas muito chatas em todos os departamentos. Outro tipo de loja muito legal aqui sao os 百円屋 (hyaku en ya, lojas de 100 ienes). Sao os equivalentes as lojas de 1,99 do Brasil. A diferenca e que aqui nao tem porcaria pra vender. Todos os produtos sao muito bons, apesar de mais simples. Equipei toda a cozinha, banheiro, lavanderia, etc, gastando uns 3500円 (U$ 35).

Depois das compras, e com o tempo quase estourando, corremos para o 郵便局 (yuubinkyoku, correios). Aqui no Japao, o tipo mais comum de conta em banco e centralizado e administrado pelos correios. Novamente, fomos super bem atendidos, preenchemos uns 3 formularios, depositamos 10円 e estava feita a brincadeira. Agora bastava esperar pelo cartao, que chegaria pelo correio. Entretanto, precisariamos ainda abrir uma conta no Momiji Bank, que e utilizado pelo sistema de saude para reembolso de despesas de saude, tais como consultas.

Saindo dos correios, fomos voando para a loja de celular da SoftBank. Infelizmente, nao deu para comprar o celular, pois precisavamos do "student ID card" para comprovar que eramos estudantes e poder participar de um plano especial. Para falar a verdade, a busca pelo celuar se tornou uma epopeia. Contarei mais detalhes sobre isso em futuros posts.

E pois bem, terminava, entao, a saga do primeiro dia. E eu estava muito cansado, ainda acumulado da viagem. Eu nao acreditava naquele papo de "jetlagged", mas demorou quase uma semana para eu me acostumar com o novo horario. Passei quase toda a primeira semana acordando no meio da madrugada, com pouco sono :P

Agora, umas rapidas palavras sobre o local aonde estou morando e o meu "apartamento". Maiores detalhes, tambem em posts futuros. O campi da Universidade de Hiroshima e composto por 2 campus: Saijo e Kazumi. O campus de Kazumi fica na cidade de Hiroshima (広島市), a famosa, e agora abriga apenas os cursos de ciencias medicas. O novo campus, em Higashihiroshima (東広島市, Hiroshima leste), agora abriga todo o restante das faculdades. Como eu pertenco ao departamento de engenharia, estou morando em Higashihiroshima. A International House e muito legal e muito pratica. Tenho cama, geladeira, fogao, pia, ar-condicionado e banheiro com banheira e chuveiro no meu quarto. Alem disso, ainda tenho uma sacada dentro do meu quarto, com uma vista bem massa para o campus! A vista e mais bonita do que a sacada do meu apartamento em Porto Alegre. Consigo ate ver as quadras esportivas. Esses dias ate assisti um pouco de baseball :) Temos lavanderia no predio, maquininhas de venda de bebidas, sala de estar com televisao, dvd, jornais, mesa de ping-pong...

Pois bem, termino por aqui o relato. No proximo post, falarei mais da casa, dos vizinhos, dos novos amigos, do campus, da farra do primeiro final de semana... Obrigado por lerem!!!

Thursday, April 17, 2008

Invertendo tudo!

Primeiro post e primeira vez que uso um blog. Dessa forma: buenas e me espalho, nos pequenos dou de prancha, nos grandes eu dou de talho!

Relativo a viagem de Porto Alegre ate Higashihiroshima.
Segue o "abstract":
Partida: dia 1 de Abril
1 Porto Alegre -> Sao Paulo (12:30 -> 14:05) TAM (~1h30min)
2 Guarulhos -> Toronto (21:15 -> 06:45 [+1]) Air Canada (~10h)
3 Toronto -> Vancouver (09:00 -> 11:02) Air Canada (~5h)
4 Vancouver -> Tokyo (12:45 -> 14:30 [+1]) JAL (~10h)
5 Tokyo -> Osaka (18:35 -> 19:55) JAL (~1h20min)
6 Shin Osaka -> Higashihiroshima (10:38 -> 13:15) Kodama Shinkansen (~2h40min)
Chegada: dia 4 de Abril

Vou me concentrar nos detalhes durante a viagem nesse post. Detalhes anteriores, como a minha mae tentando colocar queijo e salame na minha mala para eu levar, ou o que aconteceu no aeroporto Salgado Filho, eu deixo pra outra ocasiao :P

Pois bem. A partida do aeroporto estava ate bem tranquila. Ate os ultimos 5 minutos antes do embarque. Ai a choradeira comecou... A Leti foi a primeira, depois a Dessa, depois a minha irma, depois a mae... Eu tava me segurando, ate que nao deu mais... Meu pai entao me acompanhou ate o portao final. Ai ja nao tinha mais volta... Mas como diria o Mentor do desenho do He-Man: nao diga adeus, diga boa viagem (valeu por desenterrar essa, RLX!).

Dentro do portao de embarque, encontrei o Andre, o outro bolsista do Rio Grande do Sul. O aviso sonoro avisou a troca de portoes e la fomos nos. Conversamos um bocado ate o embarque, mas acabamos sentando muito longe um do outro durante a viagem. Alem do mais, nos dois estavamos quebrados e precisando descansar algumas horas. As aeromocas da TAM eram modelos... Ate fiz uma brincadeira com uma delas na hora do desembarque. Ela riu bastante e agradeceu :P

Em Guarulhos, encontramos o Ricardo (bolsista de Santa Catarina) logo que desembarcamos. Divertidissimo o aeroporto... Nao tinha nem fliperama pra passar o tempo. A mulher da informacao nos disse que tinha um hotelzinho no final da asa D. E la vao os 3 bagaceiros, achando que aquilo se tratava de uma maloca :P No meio do caminho, o Andre reconhece outro bolsista, o Hendrik, de Fortaleza, acompanhado da Cynthia e do Abel, tambem la daquelas bandas. Nao tendo nada pra fazer, fomos beber num boteco la do aeroporto. E nao tendo mesmo nada pra fazer, comecamos a fazer aqueles joguinhos de logica uns com os outros. Ate as garconetes do bar se envolveram na brincadeira! No final das contas, o tempo passou bem rapido! E a Cynthia sequestrou a minha barra de chocolate Diplomata :P

Ja na fila para o check-in da Air Canada, encontramos varios outros bolsistas, alguns de Curitiba, outros de Brasilia, Salvador, ... Junto com eles, encontrei a galera que iria ate Hiroshima comigo: a Naomi, o Andre (paulista) e o Luciano. Mas depois do embarque, todo mundo estava bem longe (e o aviao bem cheio). Mas bueno, apesar da viagem ate Toronto ter sido longa (10h) e das aerovelhas, foi agradavel. Tinha televisao interativa (assisti "O Apanhador de Pipas") e a pessoa que estava sentada ao meu lado era muito legal. Ele esta participando de um filme novo do Fernando Meirelles (Blindness, um filme adaptado da obra "Ensaio sobre a Cegueira" do Jose Saramago) com uma parceria entre Canada, Brasil e Japao. O trabalho dele eh na parte de arte final e efeitos especiais. No final das contas, quase nem dormi nessa viagem :P

Chegando em Toronto, cumprimentei o piloto pela excelente aterrissagem, e ele gentilmente me falou: "thank you and welcome to winter"! O proximo passo era a imigracao. O primeiro policial foi bem legal comigo, conversou bastante, fez brincadeiras, me desejou boa sorte no Japao. Mas quando eu estava descendo para pegar as malas, um outro guardinha me chamou e la fui eu... O cara me fez varias perguntas toscas, inclusive o tema da minha dissertacao de mestrado e do meu projeto de pesquisa no Japao! Apesar de tudo, fui simpatico com ele e ele foi mudando a fisionomia. Ainda se despediu de mim com um "bom dia", em portugues, para a minha surpresa, embora com um sotaque carregado. Aconteceram coisas semelhantes com alguns outros brasileiros. Entretanto, o Hendrik nao teve a mesma sorte... Ele nao fala ingles e tem passaporte Holandes. Sumiram com ele! A galera que estava perto dele tentou avisar que ele nao falava ingles e que estavamos indo para o Japao. Tambem duvidaram quando o Hendrik disse que sabia falar japones. Foram bem grosseiros e levaram ele pra uma salinha. Eu sugeri pegarmos a bagagem dele e esperar. A galera foi embarcando, mas eu, o Andre (gaucho), a Cynthia, o Abel e o Ricardo ficamos esperando pelo Hendrik. Fui conversar com a moca no aeroporto e ela foi super grosseira (numa producao Herbert Richards, Cavalo de Fogo!). Mas persuadi ela a telefonar e pedir noticias. No final, ela me pediu desculpas e tudo mais... Nao sei, mas acho que deu algum estresse no aeroporto naquela manha... O Hendrik apareceu, ainda ajudamos uma senhora brasileira que nao falava ingles, e fomos curtir um pouco o aeroporto de Toronto! Nao parecia tao frio... Mas quando saimos pra dar uma volta pelos arredores do aeroporto... Caramba! Nao deu pra fazer quase nada pois o tempo ja estava se esgotando devido aos imprevistos.

Ok! Head to Vancouver! Aerovelhas, televisao interativa, ... Cinco horas de viagem. Sentei ao lado de um casal de Curitiba que estavam indo a um congresso de odontologia em Vancouver. Uma conversa bem agradavel tambem! Ao se aproximar da Columbia e da cadeia montanhosa, apenas admiracao! Realmente muito bonito, um espetaculo! Desembarque apressado e pouco tempo para fazer o check-in para ir para Tokyo. Eu e o Andre (gaucho) fomos ageis e ainda deu tempo pra fazer um lanche. Hamburguerzinho bom (ok, era uma droga, mas a fome era mais intensa...)! E com cerveja pra crianca! Tipo um refrigerante com gosto de Gelol e Biotonico Fontoura... Interessante nos primeiros goles, detestavel nos ultimos! Finalmente todos os brasileiros se encontraram no aeroporto, fizemos uma lista e tiramos algumas fotos.

E comecava mais uma longa viagem ate o Japao, contornando o estreito de Bering. Foram mais 10h de viagem... Mas, novamente, dei muita sorte. Do meu lado direito sentou um canadense (Peter) que mora no Japao ha 10 anos. Do meu lado direito sentou uma Taiwanesa (Mandy) que trabalha no Canada. Conversamos praticamente a viagem toda, com pausas pra ver alguma coisa na TV ou pra jogar algum jogo (competicao de Space Invaders, Four-In-A-Row e Tetris)! E as aeromocas da JAL sao super simpaticas e atenciosas. E entao cheguei no aeroporto internacional de Narita! E uma fila gigantesca na imigracao! O que podemos fazer, la vamos nos! La pelas tantas, na fila, surge um japinha e pede pra gente ir pra sala ao lado que tem mais guiches de imigracao. Eu nao sei como que eu entendi o que ele falou, mas deu certo. Ainda arrisquei pra confirmar: "koko no tonari desu ka? asoko desu ne?". Quando ele respondeu "hai", na mesma fracao de segundo, me mandei correndo! Fui um dos primeiros na nova fila! A moca da imigracao foi bem legal. Mas ela nao falava ingles :P Bom, grande novidade! A gente se vira... Depois ainda fui pedir informacao pro guarda sobre o local da retirada das bagagens. Fiz a pergunta em japones e ele me respondeu em ingles... Vai entender! No desembarque, encontro a Kana san!!!!!! Nossa, quanta saudade! Sorridente como sempre (e falando portugues!). Mas eu tentava usar japones. Encontramos os bolsistas brasileiros de Tokyo que ja estavam morando ali. O Drebes san nao pode ir, queria agradecer ele pessoalmente mais uma vez pelas dicas no Brasil. A Natsuki san e a Yukiko san tambem nao puderam comparecer :( 残念! Mas em breve eu encontro com voces, ok? 了解です! Os que iriam para Osaka se despediram dos que ficariam em Tokyo. Antes da proxima escala, tomei um banho no aeroporto. 500 ienes (U$ 5), banho mais caro da minha vida! Mas com todo o conforto! E uma ducha poderosa... Acho que e o mesmo tipo de ducha que usam pra manter os monstros gigantes afastados... Ainda com gilete, creme de barbear, locao pos-barba...

E assim, o grupo que iria para Osaka se resumiu a 7 pessoas. No voo para Osaka, eu nem vi nada. Foi teletransporte! Nao tinha mais como segurar o sono... Entrei no aviao em Tokyo e acordei em Osaka! Chegando, mais uma despedida. Tres pessoas ficariam por la, enquanto eu, a Naomi, o Luciano e o Andre (paulista) seguiriamos para Hiroshima no dia seguinte. Pegamos um taxi e fomos para um hotel que a Naomi conhecia. Nossa, o taxista foi muito atencioso. Ajudou a gente a fazer o pedido dos quartos e esperou sem cobrar um centavo a mais (ok, aqui nao existe centavo...), com toda a educacao e distincao do mundo! O passeio noturno ate o hotel foi muito legal! Tudo muito interessante... Principalmente a quantidade de lojas de conveniencia espalhadas pela cidade... Ate deu vontade de descer do taxi so pra comprar um nigiri :D

Quando a gente pensou que poderiamos finalmente relaxar e descansar, a Naomi notou que tinha esquecido o notebook dentro do taxi!! Sem problemas, estamos no Japao! Telefonamos e o taxista trouxe em questao de 1h, sem cobrar absolutamente nada. Outro mundo, realmente... Confianca e honestidade sao os valores mais importantes por aqui... No Brasil o notebook ja estaria sendo anunciado no mercadolivre.com... Eu ainda assisti um pouco de TV no quarto antes de dormir. Meu Deus... Como tem propaganda e programas de TV bizarros por aqui... Ainda deu pra ver um pedacinho final do "Gaki no Tsukai"! hehehehehe Mas nao entendi nem 10%! Na manha seguinte, desci com o Luciano para a cafeteria do hotel. Assim como todo o resto, o teto era bem baixinho! Mas o local era muito bonito e bem tradicional. Ate que a gente se virou bem no japones... Eu nao lembrava como era acucar, ai a mulher olhou pro que eu estava apontando e falou: "ahhh! satou desu ne? douzo!". O Luciano saiu cedo, eu continuei la por um tempo pra tomar a sopa de miso :P Nesse interim, apareceram o Andre e a Naomi. Depois do cafe-da-manha (e depois de falar: gochisousamadeshitaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa), hora de fazer o check-out (chekku autto) e ir pra estacao de Shin Osaka para pegar o shinkansen (trem-bala) para Higashihiroshima.

Ate a estacao, um sobe e desce interminavel de escadas carregando as bagagens... Chegamos na estacao e estavamos olhando os mapas. Nada de shinkansen lines... A Naomi foi pedir informacao e eu olhei pro lado e tinha uma placa enorme escrita 新幹線 (shinkansen). Eu lembrava so do primeiro e ultimo kanji, shin e sen, logo, so podia ser... Compramos o bilhete (takasugimasuyo! 一万円, U$ 100). Tinhamos tempo de sobra ate... Deu pra visitar umas lojinhas, comprar uns omiyagis, experimentar as vendor machines... Fui bem feliz pra experimentar um cha. Escolhi, botei a moedinha, apertei o botao... A Naomi tambem me ajudou a escolher dizendo que aquele era tri bom... Ok, abri e fui beber! Cara... Sabe o azeite quando se cozinha arroz? Tinha gosto daquilo... E ainda quando queima o arroz... Pra piorar, a garrafa era de 500ml... Ahh, fazer o que, entra no clima! No final ate que eu tava achando aquilo bem saboroso... Essas maquinas de venda estao por toda a parte... Elas te controlam! Outra hora escrevo mais sobre elas e dos seus "sabores"!

E entao comecou a aventura no trem-bala. Tri massa, tri bala! E olha que o Kodama e o primo pobre dos shinkansens... Mas o mais interessante nem foi o trem e a velocidade em si... O mais interessante foi a transicao entre uma cidade e outra. Todas muito bonitas, entre montanhas, com muita natureza. Mas nao acontece aquilo que e muito comum no Brasil: cidade, mato, mato, mato, mato, mato, outra cidade, ... E sempre um cenario urbano, misturado com a natureza ao fundo. As sakuras (cerejeiras) sao um show a parte, principalmente porque aqui no Japao e primavera agora. No comeco, elas sao as coisas mais lindas do planeta, mas, agora, confesso que ja enchi o saco delas :P Passamos por diversas localidades no trem-bala, nem lembro o nome de metade delas. Mas um local foi marcante: Himeji! Alem de ser a terra natal da Natsuki, a cidade tem um castelo grande e famoso, o Himejijo. Foi so o shinkansen se aproximar da estacao e la estava o castelo ao fundo, em cima de uma colina, majestoso. Essa imagem ainda se mantem fixa na minha mente!

E entao chegamos a estacao de Higashihiroshima, nosso destino final. Estavam la um japones e uma moca (que eu nao lembro de onde era... so lembro que ela usava um lenco na cabeca; nao encontrei mais com ela desde que cheguei) esperando por nos. O japones (que ate hoje me custa a lembrar o nome), eu ate encontro seguidamente na Faculdade de Educacao (教育学部, Kyouiku Gakubu). Esses dias ele ate veio me convidar pra ingressar no clube de Futsal. Acham que porque a gente e brasileiro a gente manda bem no futebol! hehehe 楽しい... Pois bem, essas duas pessoas, entao, nos acompanharam para o local que eu e o Andre ficariamos: Hiroshima University International House (広島大学国際交流会館, Hiroshima Daigaku Kokusai Kouryuu Kaikan).

Pois bem, paro por aqui meu relato da viagem!!
Acho que ja tem bastante texto para voces lerem e comentarem!
Depois disso, irei narrar a chegada na Hiroshima International House, os primeiros dias, as primeiras festas, o contato com o orientador e equipe do laboratorio...
Em breve ja estarei colocando fotos por aqui e no album (picasa-google)!

Saudacoes a todos,
さびしい (com saudades)!
またこんど (ate a proxima)!
読んでいただく、ありがとうございます (e obrigado por lerem)!